terça-feira, 15 de dezembro de 2015

Notícias sobre a capacitação de educadores para Educação Infantil! Comissão de Educação Infantil Indicação nº 011/2015 Define critérios para oferta de Cursos de capacitação para profissionais de apoio na Educação Infantil, para o Sistema Municipal de Ensino de Porto Alegre, conforme estabelece o § 1º do artigo 24 da Resolução nº 015/2014 do CME/PoA.

terça-feira, 29 de abril de 2014

A ansiedade de separação e individuação da criança e a entrada na educação infantil

A ansiedade de separação faz parte do desenvolvimento normal da criança, surgindo, aproximadamente, entre os cinco primeiros meses de vida e decaindo aos 18 meses, podendo persistir de forma suave até os cinco e seis anos de idade. A entrada da criança na escola nos dois primeiros anos de vida tem sido cada vez mais freqüente, justamente no período em que a dupla ¨mãe-bebê¨ está vivenciando o processo de separação-individuação. Entende-se por esse processo que até o final do primeiro ano as mães estão envolvidas e devotadas ao bebê e em estado dependente. Mas, até o final do primeiro ano de vida da criança as mães manifestam com mais clareza o desejo de retornarem o seu espaço e mostram-se mais independentes, como se a individuação crescente do bebê provocasse o resgate da sua individualidade como mulher. Assim, inicia-se um período de diminuição da dependência corporal do bebê com sua mãe. Ele começa a desenvolver noções de locomoção como: engatinhar, levantar... Mostra interesse por objetos, buscando estimulação do ambiente. Então, o bebê já reconhece por volta dos cinco meses de idade, que ele e sua mãe são objetos separados. Está iniciando o processo de separação e individuação! Antes havia uma simbiose, em que o bebê com sua mãe fossem a mesma pessoa. Por volta de oito meses há a reaproximação em que a criança começa a engatinhar adquirindo, progressivamente, as habilidades necessárias para separar-se fisicamente da mãe. É o período em que a criança sente muita angústia, pois ainda não consegue reter, por muito tempo, a imagem da figura materna internamente, ou seja, quando a mãe se afasta ela entende que a mãe desapareceu e não irá mais voltar. Assim, chamamos de ansiedade de separação, à medida que o bebê tem cada vez mais a consciência física de separação do corpo da mãe com o medo de ficar sem ela, por isso seus sentimentos vão oscilar entre ímpetos de independência e momentos de grandes apegos. O apego é saudável no seu devido tempo e processo, pois para poder ser independente é preciso ter que depender. Por volta dos dois anos de idade, esse apego torna-se menos visível. A criança já tem condição cognitiva de entender quando a mãe explica que vai sair e voltar, ainda mais quando na relação mãe e filho foi adquirida a autoconfiança, sentindo-se capaz de relacionar-se bem com as outras pessoas e crianças. A entrada na escola é um processo saudável e faz com que a criança avance nos seus aspectos sócio-afetivos e cognitivos, conquistando novos espaços. Portanto, esse processo de separação e individuação faz parte e se caracteriza por oscilações de sentimentos nas crianças como: sentirem-se abandonadas, enraivecidas, batendo... Algumas até podem esconder seus sentimentos por algum tempo, parecendo dóceis e quietas; e outras podem até chorar, gritar, mostrarem-se mais agitadas, não comerem, não dormirem direito, até que adquirem confiança no professor. Esse processo é gradual. As regressões são normais como: chupar o dedo, falar como bebezinho, não comer, não dormir como no habitual... Às vezes adaptam-se bem nos primeiros dias, mas logo dão sinais de regressão. O importante é que os pais e crianças estejam preparados para esta separação. Todos os pais se preocupam com a entrada da criança na escola e apresentam uma ansiedade normal, a qual pode manifestar-se sob inúmeras dúvidas quanto aos cuidados que serão oferecidos aos seus filhos. È um desafio para todos: pais, crianças, professoras e equipe da escola. Esse processo deve ser gradual, criterioso e com muita paciência. A adaptação acontece positivamente quando os pais têm expectativas positivas, a satisfação com a entrada da criança nesse novo universo e a confiança na escola.

quinta-feira, 25 de abril de 2013

A criança que fala palavrão...

Desde pequena a criança observa e imita o que está em seu convívio. Apesar de a criança pequena ter idéia que não é correto falar determinadas "palavras"( palavrões), ela acaba falando por ouvir essas determinadas palavras pelos adultos, mesmo que não saiba o significado das mesmas. Pode até utilizar esses palavrões em determinadas situações de conflitos, intolerâncias às frustrações, "raiva", brigas, mas ainda não tem a idéia do real significado. Já os adultos utilizam os palavrões para expressarem seus descontentamentos, frustrações, raiva, conflitos... Em seu dia-a-dia, como em conflitos no trânsito, conflitos familiares ou pelo simples fato de estarem acostumados a esse vocabulário. Mas o que acontece é que a criança repete o que ouve e começa a falar palavrão desde pequena, por volta dos seus dois anos de idade, quando utiliza da verbalização como forma de expressão, e reproduzindo o que "aprende" em seu vocabulário; pois a linguagem está ligada com a realidade que ela vive. Então, como lidar com a criança que fala palavrão? - Aos pais: revejam vocabulários, não utilizem palavrões perto dos seus filhos, controlem as suas expressões verbais e gestuais; não riam quando o seu filho(a) emitir palavrões, por mais engraçada que seja a situação, pois estarão dando reforço à repetição; aos pais que não utilizam palavrões não precisam se preocupar em afastar o seu filho(a) da criança ou adulto que utiliza dessas expressões, pois afinal, não se pode colocar a criança numa "bolha". Ela tem que aprender o que pode ser falado e o que não pode ser falado e seguido. Explique pra ela que essas palavras não se usam; estabeleça limites. Converse, se for o caso, com adulto de seu convívio e que fala palavrões para que não utilize essas expressões perto do seu filho(a). -Aos educadores/professores: as dicas são as mesmas, mas sempre retomando as combinações com o grupo e conversando com a criança que fala palavrões para não utilizar no grupo; estabeleçam limites! Conversem com os pais; não sejam permissivas. *** Um recurso muito legal e comportamental é combinar que a criança troque o palavrão por uma palavra diferente/engraçada. Ex. Trocar o palavrão por uma palavra mágica: Blãoblãoblão; Cadabum! Deixo também a sugestão dos livros infantis com as crianças: "Camila Fala Palavrão" e "Luísa Fala Palavrão". Cristiane Fraga S. Bohrz- Psicopedagoga

domingo, 21 de abril de 2013

A psicopedagogia clínica e institucional

“ A Psicopedagogia é um campo de atuação em Saúde e Educação que lida com o processo de aprendizagem humana; seus padrões normais e patológicos, considerando a influência do meio - família, escola e sociedade - no seu desenvolvimento, utilizando procedimentos próprios da psicopedagogia”. A intervenção psicopedagógica é sempre da ordem do conhecimento relacionado com o processo de aprendizagem. A Psicopedagogia é de natureza interdisciplinar. Utiliza recursos das várias áreas do conhecimento humano para a compreensão do ato de aprender, no sentido ontogenético e filogenético, valendo-se de métodos e técnicas próprios. O trabalho psicopedagógico é de natureza clínica e institucional, de caráter preventivo e/ou remediativo. A Psicopedagogia estuda o processo de aprendizagem e suas dificuldades, tendo, portando, um caráter preventivo e terapêutico. Preventivamente deve atuar não só no âmbito escolar, mas alcançar a família e a comunidade, esclarecendo sobre as diferentes etapas do desenvolvimento, para que possam compreender e entender suas características evitando assim cobranças de atitudes ou pensamentos que não são próprios da idade. Terapeuticamente a Psicopedagogia deve identificar, analisar, planejar, intervir através das etapas de diagnóstico e tratamento. A Psicopedagogia se ocupa da aprendizagem humana, advinda de uma demanda: o problema de aprendizagem, colocado num território pouco explorado, situado além dos limites da Psicologia e da própria Pedagogia. O TRABALHO DO PSICOPEDAGOGO NA CLÍNICA O psicopedagogo clínico trata das dificuldades de aprendizagem, através de atendimentos em sessões realizadas individualmente ou em pequenos grupos, em consultório. Para a avaliação, o psicopedagogo, no encontro inicial com seus familiares, na anamnese, usa dois recursos importantíssimos: o “olhar” e a “escuta” psicopedagógica, que o auxiliará a captar através de atividades lúdicas, desenhos, testes próprios da psicopedagogia, atividades avaliativas, do silêncio, das expressões do sujeito, dados que possa explicar a causa do não aprender. Após essa etapa, surge à hipótese diagnóstica, os encaminhamentos necessários, o acompanhamento, dentre outros procedimentos inerentes ao trabalho terapêutico como orientação aos pais e professores e também contato com outros profissionais das áreas psicológica, neurológica, fonoaudiológica e outras, para que todos possam contribuir no tratamento. O psicopedagogo deve ser um mediador em todo processo, indo além da simples junção dos conhecimentos da psicologia e da pedagogia. Para a utilização dos procedimentos diagnósticos e terapêuticos adequados, a prática psicopedagógica clínica deve está envolvida na concepção de um sujeito que aprende possuidor de características biológicas, cognitivas e socioculturais singulares, que o constituem enquanto um ser único, tendo, portanto um modo de aprender e ensinar, também peculiares. O atendimento clínico deverá obedecer criteriosamente todas as etapas investigativas e analíticas, com vistas à formulação de hipóteses consistentes no sentido de levantar hipóteses diagnósticas dos elemeninterferem no desenvolvimento do sujeito que aprende, sejam eles orgânicos ou inorgânicos. Na psicopedagogia clínica os procedimentos diagnósticos e terapêuticos, obedecem à observação de aspectos importantes, dentre eles a análise de fatores orgânicos, motores, cognitivos, intelectuais, emocionais, sociais e pedagógicos, fortalecendo, sobretudo o rigor científico necessário à afirmação da Psicopedagogia enquanto Ciência voltada para o sujeito que aprende. O psicopedagogo, através do diagnóstico clínico, irá identificar as causas dos problemas de aprendizagem. Para isto, ele usará de instrumentos próprios que irão subsidiar as suas hipóteses. Após a hipótese diagnóstica inicia-se a intervenção. O psicopedagogo institucional na sua prática escolar tem papel de mediador, ele faz uma intervenção, “não apenas da aula”, sobre um tema. Essa intervenção é levantar hipóteses, rever conceitos, descobrir determinadas crenças sobre o aprender e o ensinar e assim permitir a construção de um espaço para troca de experiências e idéias, além de propor uma metodologia onde o refletir e o pensar não seja tarefa sem prazer, sem alegria, sem vida. Considerando a escola responsável por grande parte da formação do ser humano, o trabalho do Psicopedagogo na instituição escolar tem um caráter preventivo no sentido de procurar criar competências e habilidades para solução dos problemas. Com esta finalidade e em decorrência do grande número de crianças com dificuldades de aprendizagem e de outros desafios que englobam a família e a escola, a intervenção psicopedagógica ganha, atualmente, espaço nas instituições de ensino. Numa linha preventiva, o psicopedagogo pode desempenhar uma prática docente, envolvendo a preparação de profissionais da educação, ou atuar dentro da própria escola. Na sua função preventiva, cabe ao psicopedagogo: • Detectar possíveis perturbações no processo de aprendizagem; • Participar da dinâmica das relações da comunidade educativa a fim de favorecer o processo de integração e troca; • Realizar processo de orientação educacional, vocacional e ocupacional, tanto na forma individual quanto em grupo. • Avaliar o processo metodológico na escola como um todo e orientar novas metodologias de acordo com as características dos indivíduos e do grupo; acompanhando a relação professor e aluno, aluno e aluno; • Acompanhar o aluno que vem de outra escola, sugerindo atividades, buscando estratégias e apoio e quando necessários. Acreditamos que, se existissem nas escolas psicopedagogos trabalhando com essas dificuldades, o número de crianças com problemas seria bem menor. O psicopedagogo deve considerar que a escola, o professor e família interferem positiva ou negativamente no processo de aprendizagem. Em relação à escola, avalia-se também a forma como está organizada, inclusive a sua estruturação hierárquica, sua orientação de trabalho, os conflitos internos e o seu projeto pedagógico. Nos professores, observa-se: • a forma de circulação do conhecimento utilizada; • o comprometimento com o trabalho; • o zelo pelo aluno e pela aprendizagem; • as transferências realizadas durante a interação com cada estudante; • o estímulo que é capaz de provocar ao apresentar seu saber; • a formação que possui que o habilitará a identificar as dificuldades escolares a partir da interpretação dos processos mentais que levaram o aluno a responder desta ou daquela forma; • a conduta pedagógica - se respeita ou não o conhecimento trazido pelo aluno. Na família é possível observar: • sua função social e as funções de cada elemento da família; • as formas de circulação do conhecimento; • as normas que a regulamentam; • as resistências; • a identidade dessa família (ideologias, crenças etc); • as expectativas e conflitos.